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Eu te amo... Na verdade, não tanto assim.
Eu sou ridícula. É, uma hora eu teria que aceitar. Talvez você, que está lendo, também conclua o mesmo. Não só de mim, claro, mas de você também. Sou insegura; às vezes, digo verdades, mas volto atrás por medo de sabe-se lá o que. Um exemplo bobo: digo que gosto, mas, logo em seguida, falo que não é que eu gosto, é que eu vou com a cara, até que é tolerável. Tudo isso para tentar tirar a intensidade de qualquer sentimento dito primeiramente. E que erro! Porque a realidade já tinha sido dita e eu que complico e mudo tudo. Com gostar, com ciúmes, com tristeza, com saudades, com querer... Tantas vezes reduzo o que sinto. Medo. Talvez o medo de assustar. Mas quem disse que sentimento assusta? Pelo menos, não deveria. E ninguém me garante isso. Se eu fizesse terapia, talvez o especialista pudesse delinear exatamente o momento da minha vida em que foi criado esse programa redutor. Deve ter algum motivo. Só sei que penso muito em dizer as coisas abertamente e, quando tomo coragem e falo tudo, logo penso que errei e tento me justificar. Inutilmente, quem sabe. Tô querendo enganar quem? Eu não sei até que ponto todo mundo é assim ou sou só eu. Qual é a parcela medrosa da humanidade? E estou só esperando a hora em que eu me arrepender de ter escrito tudo isso e tentar dizer que não é bem assim.
Escrito por Mayara Alves às 12h54
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A linha tênue entre o trabalho e a loucura
Expediente. Você tem o seu expediente fixo diário. Horário a cumprir de segunda à sexta. Você sempre extrapola o horário, claro. Depois, chega em casa e trabalha mais um bocado. Mas você ainda tem um extra, que, apesar de ser ‘apenas’ um projeto, não deixa de ser um trabalho. Tudo isso é muito. Tudo te consome. Talvez se fosse uma coisa de cada vez, estaria ótimo. Mas não, são as três juntas. Espera! Você ainda faz faculdade e precisa cumprir com mais compromissos diários. Certo, são quatro. Quatro que se multiplicam em um milhão, porque não temos somente uma função no que fazemos. Hum, bacana. Aí, você lembra que ainda precisa comer, dormir, tomar banho e fazer necessidades fisiológicas no seu dia. Legal isso. Começa a ler em vários lugares que o ser humano tem que dormir pelo menos oito horas por dia. Você acha interessante, mas conclui: ou você não é um ser humano ou seu dia tem menos horas que o dos outros. Você para e não entende. Então, lê sobre as refeições normais de um dia e percebe que você também não as faz da maneira correta. É... Necessidades fisiológicas. Bom, não preciso falar sobre intestino preso, preciso? – Não, obrigada. A única coisa que a faz se sentir normal é: eu tomo banho! Até porque, esse é o mínimo! E eu ainda nem comentei sobre abrir o e-mail, ver notícias, ler um livro... Nada disso importa. Ah, a vida social? Quem? Quem é ela que nunca mais veio te visitar? Tem a tal da saúde também, que fica tão esquecida que você só sente sua ausência quando ela foge de vez e você não tem condições de fazer mais nada. “Você consegue, não desista!” Ahan. Deve ter alguma coisa errada. Você não dorme direito, não come direito, não vive direito! E olha que eu nem disse que você não faz mais as unhas, nem hidrata os seus cabelos. E essa coisa de passar cremes depois do banho, antes de dormir e quando acordar: esqueça! Não dá tempo e você se sente a pior pessoa por causa disso. Chega uma hora em que você decide: eu preciso me divertir. Vai, marca com os amigos, enche a cara e... Arrepende-se no dia seguinte, porque você não consegue fazer nada direito. Então, desiste dessa loucura que é ser feliz. Eu não sei até que ponto trabalhar é sensato ou insano.
Escrito por Mayara Alves às 12h07
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Adolescência tocando a campainha
Quer sentimento mais adolescente do que não saber como cumprimentar uma pessoa? Beijo no rosto ou na boca? Aí, você chega no lugar, encontra todos os seus amigos e... Deseja intimamente que o momento daquele tal oi nunca chegue, ou que ele chegue logo. Porque você não sabe, lembra? Na dúvida, acaba enrolando, inventando assuntos com cada um que cumprimenta antes, na tentativa de adiar a taquicardia. Pelo bem da sua saúde, é claro. E que saúde! Porque, apesar da sua juventude, não é mais um adolescente para passar por esse tipo de situação. É mais difícil! Esse blá-blá-blá de que ficamos mais fortes não passa de um blá-blá-blá, mesmo. Concordo que há momentos em que lidamos melhor com as coisas, mas é por uma questão de ‘movimento repetitivo’. Acabamos nos enferrujando e fazendo coisas mecanicamente. Nem sempre são coisas que gostamos de fazer. Às vezes, essa repetição nos causa uma tendinite daquelas poderosas. Mas nessas horas adolescentes, não há mecanismo que adiante.
Pensando nisso, bem que poderíamos ter pequenos botões de escolha de sistema. Modo apaixonado, modo descaso, modo independente, modo carente, modo selvagem, modo irônico, modo seilámaisoque! Tudo uma questão de planejamento. Não posso me apaixonar – modo coração de pedra. Pronto, nem vou dar mais exemplos. Só esse basta.
Pensando novamente, seria péssimo termos esses botões. Seria uma falta de personalidade e insensibilidade absurda. Deixa isso pra lá, vai. É melhor. A questão é apenas uma: tem certas coisas que nunca mudam. Para todas as outras, tente mudá-las para melhor.
Escrito por Mayara Alves às 23h53
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Madrugada informa: a hora certa!
Tô pra ver mocinha tão sapeca. Ela é pura. Pura porque consegue trazer a verdade, trazer sentimentos. Talvez a embriaguez do sono que faça isso, tire os pudores dos pensamentos. Porque quando você acorda no dia seguinte, percebe a banalidade daquilo que pensava na madrugada anterior. Ou não. Não sei se ela intensifica as coisas ou apenas as mostre de maneira verdadeira. É muito fácil se esconder em meio ao trabalho, amigos, família e a todo o barulho do seu cotidiano. Na madrugada, é você com você mesmo. Isso é que é duro de encarar. E há tantos arrependimentos por causa disso. Quem nunca mandou uma mensagem cheia de verdades no meio da madrugada, ou um e-mail, ou uma carta ou até mesmo as disse numa conversa. No dia seguinte, aquele pensamento "ai, que exagero". Mas, será mesmo? Para mim, é simplesmente o momento em que as coisas acontecem. Quer instante mais puro? Você, sem forças, sozinho, pensando. Eu, como sendo uma grande admiradora da madrugada, acredito que ela traz a verdade. Gosto tanto de estar nela, escrever, produzir, pensar. Como agora. As coisas têm que ser ditas no momento em que vêm à tona. E se isso acontece na madrugada, quem impede? No fundo, é aquela coisa do "amanhã, posso me arrepender". Ah, o arrependimento! Para a verdade, ele não deveria existir. Guardamos tudo o que somos e sentimos, com medo de se expor, medo da vulnerabilidade. Corajosos são os que olham pra você e conseguem dizer tudo o que sentem. Estes têm a minha admiração. Claro, não sejamos ignorantes ao pensar que estou falando daquela verdade infantil, como no Fantástico Mundo de Bob: "tia, a senhora tem bafo". Certo, não precisa. E creio que eu também não preciso me explicar aqui. A maioria das minhas verdades já ditas vieram da madrugada. Cheguei a escrever verdades freneticamente e prometer a mim mesma que não mudaria uma vírgula no dia seguinte, antes de mandar ao destinatário. Na vez em questão, consegui. Mas não vou dizer que é simples. Muito menos ter a cara-de-pau de dizer que sempre obedeço. Veja bem! Obedeço na menor parcela das vezes. Ah, e claro que tudo comigo é à base da escrita. Às vezes, planejo fechar os olhos e dizer tudo o que tenho para dizer. Mas quando os abro e me deparo com a pessoa receptora na minha frente, é como se eu esquecesse tudo. Já tentei fazer isso, mas acabei metendo os pés pelas mãos, porque não saiu nada como estava no tal do plano. É, não sou uma boa atriz e nem dá para ser quando se trata de si mesmo. Ou melhor, não se deve ser. Sou a favor das pessoas aproveitarem o clima da madrugada para se abrirem para o mundo. Porém, eu continuo na mesma. Tantas coisas que queria dizer. Mas nunca acredito ser a hora certa. E é por isso que talvez eu sempre perca a hora.
Escrito por Mayara Alves às 20h14
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Decepção
Decepção é aquele bichinho chato, que aparece te corroendo por dentro, aos poucos. Deve ser mineiro, que come quieto. Mas você só se dá conta quando ele já te devorou. Verme! Você o alimenta com tudo que existe em você. Muitas vezes, sem ao menos perceber. O que é fato é que todo mundo espera alguma coisa de alguém. Não importa o que nem como, mas espera. E não só de alguém, mas de algo também. Vivemos da espera doentia pelos feedbacks da vida. Um produto que não funciona, decepção. Uma pessoa que não liga, decepção. Um sapato que fura, decepção. Um 'não' no altar, decepção. E ela pode ser muito mais sutil, como um suco que veio sem açúcar. Ou com uma escolha alheia do filme que não é seu favorito. Muito mais que as grandes expectativas que temos na vida, há outras muito menores que estão constantemente com a gente. Vivemos nos iludindo e nos decepcionando. Há quem não espere nada. Será? Eu não acredito nisso, porque não esperar já é uma expectativa. Não tem como nos livrarmos desse bichinho infame que nos corrói. Poxa... Legal... Não tem como se livrar dele... E agora? Agora, fodeu! - com todo o perdão da palavra. Estamos aqui para isso. Viver é se decepcionar. Uma visão um tanto melancólica, mas é real. A questão é o que você vai fazer com essa decepção - nada de pensar besteiras! Ela está tão introduzida na nossa vida que nem a sentimos mais. Sentimos só as grandes e traumáticas. Quer dizer, traumáticas porque nós a colocamos assim. Se tivessemos dado o mesmo valor àquela banal do dia-a-dia, a coisa seria diferente. Mas quem é que manda, né? Eu tento mandar. Não consigo, confesso. Quem sou eu para mandar em algo neste quesito, não é mesmo? Imagina se a noiva que ganhou um 'não' no altar olhasse para o sujeito e dissesse: tá bom. Seria genial! Ela iria sair linda & bela e continuar sua vida feliz. Mas não. Este é o ponto máximo em que aquele verme a destrói. É, não tem solução. Desculpem-me, mas não há receita de bolo para isso. Só sei que todos nós nos decepcionamos e vamos continuar assim. Acredito que a única coisa que podemos fazer é tentar não ser uma decepção para os outros.
Escrito por Mayara Alves às 11h20
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Desaprendendo
Ah, como eu queria voltar a saber traduzir tudo o que eu sinto por meio de palavras. Palavras escritas. Como era boa a relação entre coração - cabeça - mãos. Às vezes, ia do coração direto para as mãos, fazendo com que eu só entendesse depois de ler o que eu mesma escrevi. E como era bom. Algo pulsava dentro de mim e a primeira reação era voar para um pedaço de papel e uma caneta ou algum teclado qualquer. Não importava onde. De repente, bum!, lá vinham elas, as palavras, perfeitamente sequenciadas com alguma intenção misteriosa. Antes, um momento, um texto. Era lindo. Tudo contado com a mais pura sensibilidade, até perspicaz em excesso para uma menininha. Isso mesmo, uma menininha. O que indago é esta coisa chamada tempo, que passa e que acaba levando alguma coisa que tanto gostamos. Sinto falta daqueles desabafos. Hoje, sinto, choro, guardo momentos, mas falta-me o toque especial a compartilhá-los ao mundo. Repare que os parágrafos anteriores começaram com a letra "A". Pura coincidência. Garanto que foi sem querer. Antes, seria uma estrutura dada por mim a um texto. Seria algo premeditado. Seria Arte, não Acaso. - Se é que eu me permito usar este A novamente -. No momento, só o silêncio da madrugada me acompanha. Ele, que sempre me fez tão bem. Acredito ainda o fazer. Olha só até onde ele me trouxe, não é mesmo? Estou aqui, escrevendo. Eu, que sempre acreditei na evolução das coisas, hoje, duvido dela. Temos o costume de esperar as coisas ficarem mais maduras. Quanta bobagem. Às vezes, o segredo está na imaturidade. Já sonhei tanto com minhas palavras, acreditando que esperar seria o melhor remédio, que tudo melhoraria. Ingenuidade a minha. Hoje, acho tão inatingível. Não sei se meu departamento da ilusão perdeu espaço ou se realmente enxerguei a sua não-possibilidade. Escrever é mágico. Claro, quando se sabe. Mágico não necessariamente para quem escreve, mas para quem lê. Esta é a intenção sombria. As pessoas costumam dizer que escrevem para si mesmos, que o segredo é não esperar resposta, só escrever com o coração. Bobagem. Esta é só a primeira etapa. Gratificante é atingir alguém. É assim... Palavras unidas que perdem seu sentido. Talvez não o percam, somente não consigam dar-lhes um novo. Uma pena. Sinto por esta falta, porque esta falta é minha.
Escrito por Mayara Alves às 15h21
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Um pote vazio, de ponta-cabeça
Ando um pouco rancorosa. Mas não é rancor, é falta dele. É falta de qualquer coisa parecida com ele ou não. Digo que estou rancorosa pelo que falo da boca para fora, pelo descaso com o mundo que tento mostrar quando, na verdade, o descaso é só meu, comigo. E também talvez não seja descaso, seja só o vazio, mesmo. Vazio. Que estranho. Um ser humano vazio. Este vazio, na verdade, existe quando o conteúdo não é o desejado. Talvez excesso de uns e falta de outros. Uma insatisfação. Uma falta de vontade. Uma falta de querer, por mais que queira. Um não desejar sair e se desejar menos ainda por isso. É quando o seu corpo não responde mais a você. Você nem sabe mais o que pedir a ele, ou como pedir. É quando você está tanto num lugar, que seu lugar não é mais aquele. É quando você precisa de um lugar. É quando você vê pessoas e já não as vê com os mesmos olhos. Pelo menos, não todos os dias do mesmo jeito. É quando não sabe como vai acordar no dia seguinte, porque você não quer ter que acordar. Estar vazio é não entender o que é estar vazio nem o porquê disso acontecer. Qual é a solução? E essa é a pergunta que não quer calar, porque sempre queremos alguma solução. Um dia, é uma coisa. Noutro, outra. Inconstância. Impotência. Incoerência. Fim.
Escrito por Mayara Alves às 11h26
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Verdade cretina
É aí que você se sente uma pessoa boba. É quando um simples “a gente se fala” – o mais banal deles – parece quase um convite para o para sempre. Estou falando do “a gente se fala” que somos quase obrigados a falar em qualquer ocasião, assim como o “a gente se vê por aí”. É incrível isso. E, claro, que quem disse não tem ideia disso. Em pensar que a gente já pode ter dito vários “a gente se fala” e ter soado como sinos aos ouvidos de quem ouviu. Curioso isso. Colocamos pessoas num pedestal, no qual elas definitivamente não nos colocam. O ser humano é mesmo engraçado. É quase sempre assim. Um “oi” e pronto. Coração dispara, mãos suam, olhos brilham e faltam palavras. Ai, que infantil! É tão colegial isso tudo. Mas du-vi-de-o-dó que isso não aconteça com você também. E que raiva que isso dá. Porque você não escolhe isso. O pior: é sempre por algum troxa egoísta. Um ou uma, né. O sexo não é um fator determinante para esses acontecimentos. Oi, tudo bem? Melhor agora! Ai, não! Não era isso que era para dizer. Complete a frase. Melhor agora que acabei de jantar. Estava com muita fome. Ufa, se livrou. Parece um tanto quinze anos. Parece e é. Mas isso se estende por longos anos da sua vida. Não muda. Vire e mexe aparece alguém que desenterra essas sensações. Malditas! Beijo, até amanhã. Meu Deus, eu vou falar com ele amanhã? Ai, meu coraçãozinho! Como o ser humano é fraco. Fraco e burro. Coitado. Ser humano, te desprezo.
Escrito por Mayara Alves às 01h20
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Porto não-seguro
Por entre um tropeço e uma queda, ... Acho que minha frase acabou aí, sem conclusões. É bem isso. Em todos os sentidos. A falta de um motivo. Ter a sensação de que... De que o que? É só sentir e não pensar. O que me complica. É um departamento bombando e outro decaindo. E para que se importar com o que está em baixa? Vamos investir no sucesso! Mas como se desvincular do falido? Acho que eu sou assim. Eu e o falido. Uma relação de cumplicidade. Sempre imaginei que eu conseguiria ser uma dessas mulheres que vive sem ele. Afinal, quem precisa dele? Descobri a resposta. Eu. Droga. É como não ter um referencial. Ele é meu porto seguro. Saber que ele existe já me faz bem, mesmo eu sabendo que eu não consigo dar a atenção que ele merece. Mas, espera. Ele não existe. Eu estou sem porto seguro. Não tenho pra onde ir, só onde chegar. Isso é estranho. Isso me dá medo. Já disse, algumas vezes, com toda a pose que se deve ao momento, que “eu não preciso dele”. Quanta bobagem saindo da minha própria boca. Quero enganar quem? Na empresa que sou, ele é uma repartição de peso. Daquelas que prezam pelo bem-estar de todas as outras. A diretoria. Houve um tempo em que este departamento estava bem e os outros não. Mas a minha empresa continuava rendendo e lucrando. O contrário, não funciona. Curioso. Talvez devesse rever meus conceitos de comunicação interna, mas já tentei vários projetos e nada. Foram vários planos traçados, com ações e todo o mais que deveria ser feito. Nada mudou. Estranho ter minha empresa apoiada em um único pilar. E olha que problema ainda maior. Eu não sou uma empresa. Alguém consegue entender isso? Muito pelo contrário, eu sou o oposto de uma empresa. Quem sabe disso, sabe e pronto. Mas tenho sido tão só uma coisa, que esqueci até de quem mora aqui. E sabe do que mais? Eu sou dependente. Dependente de alguma coisa. Alguma coisa que não tenho hoje. Essa abstinência me mata. São momentos de conformismo que me dizem que estou certa. Mas, ah, como os outros momentos são mais fortes. Como o suor, a tremedeira, o choro, a agressão e a loucura da abstinência me mostram muito mais a verdade. Entendem a poesia nisso tudo?
Escrito por Mayara Alves às 15h56
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Não faz sentido
É. Talvez eu nunca realmente entenda certas coisas que acontecem ou que deixam de acontecer. Eu não consigo nem entender o porquê. E quando tudo parece certo, óbvio, claro e sem dúvida alguma, é que vira do avesso com mais certeza. Porque se eu não tivesse motivos para acreditar, eu não acreditaria. É simples. Não há razão para as setas indicarem sempre para o mesmo lado e os acontecimentos irem para outro. Não há lógica. Eu sei que não tem que ter lógica, mas, pelo menos, um pouco, não? Eu gostaria que tivesse. É tudo muito não-palpável assim. É difícil acreditar no que não faz sentido algum. E é aí que pode estar o problema. Nós temos o costume de crer em tudo aquilo que faz sentido. É claro, não é? Não. "Como uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer" (Lulu Santos) Acho que é basicamente isso. Mas é difícil de acreditar após aquelas 24h de puro passado, de puro sentido a tudo que faz... sentido. E, na verdade, quem é a ideia para ter algum tipo de pretensão? Nunca vou entender. Porque eu tenho a minha pretensão. Dizem que as coisas mais belas estão naquilo que não entendemos. Pode até ser, mas tenho certeza que quem disse isso estava feliz em não entender, não estava numa fase de aflição, de solidão, nem de perda. Porque filosofias são muito fáceis de serem ditas quando você está no topo. Você não busca as respostas que não tem quando elas te levantam. Você busca as que te derrubam.
Escrito por Mayara Alves às 12h31
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O segredo de Yoko, por Lusa Silvestre
Temos esse sujeito, John Lennon. Mais famoso que Jesus Cristo, segundo comentário da época. Pra começar, guitarrista e cantor dos Beatles. Gente, vocês já viram os vídeos dos caras andando por aí, nos anos 60? A comoção, os faniquitos, os descabelamentos? Sendo o John Lennon, sinceramente, ele podia ter conseguido coisa mais bonita. Verdade, que comentário cruel, mas vamos ser honestos: Yoko não era assim nenhuma modelo. Nem me parecia simpática, tipo, nunca vi ela nas fotos com um sorriso solar nem abraçando gostoso um amigo. Então, até onde eu sei, era moça de poucos traços de beleza – deficiência essa sequer compensada por uma simpatia invencível. John Lennon, que podia ter um affair com a própria Afrodite depois do day spa, preferiu a Yoko. Daí eu começo a pensar: “Meu Deus, por que será?”. Penso nisso, aliás, há anos. E não venham me dizer que vocês não pensam nisso também, quando aparece um cara lindo com uma moça sem atributos. Acontece, eu sei. Então desenvolvi algumas teses. Primeiro: Yoko podia ser um furor na cama, coisa que impressiona os homens, esses seres óbvios. Mas isso era fácil nos anos 60, todo mundo era assim. Descartei. Outro motivo: Yoko era artista e artistas se seduzem, se entendem. Desisti dessa tese ao ver os quadros da Yoko. Não é possível que o autor de Imagine achasse aquilo bonito. Outro motivo: a Yoko podia ser daquelas que se dá bem com os amigos – que é muito importante. Homem adora namorada que se dê bem com os amigos. Hipótese absurda, porque, afinal de contas, se a Yoko fosse legal com a rapaziada, os Beatles não teriam acabado. Outro motivo que junta casais improváveis é a grana. Só que, no caso, o rico era John Lennon. Golpe do baú é ao contrário: o feio que tem a grana. Estão vendo? Por isso a obsessão – não há motivos para a Yoko ser a senhora Lennon. Aparentemente. Vejamos então a Yoko, hoje. Me digam: existe alguma viúva dessas clássicas que carregue o fardo com mais elegância, com mais discrição? Só Jackie Onassis – que já se foi. Mais ainda: me mostrem uma foto em que ela esteja de braço dado com outro. Uma só foto. Não tem. Então eu começo a entender a Yoko: ela ainda é casada com John Lennon, e do convívio extrai sabedoria e postura. Yoko ainda é sua parceira, sua companheira. E aí está a tal qualidade dela: companheirismo – pra todo o sempre. Homem gosta disso. Gostamos de mulher que está sempre lá, pra segurar a peteca junto com a gente. Pra ir em velório. Pra ir ao almoço da firma. Pra ir ao show da Shakira, se um dos dois for maluco. Pra ficar fazendo nada, se o sábado for chuvoso. Pra fazer economia, se a coisa estiver preta. John Lennon propunha: Yoko, vamos ficar pelados na cama e chamar uns fotógrafos? E ela topava. Companheirismo. Estar ali, sempre. Pro que der e vier. Então: acho que descobri o segredo da Yoko Ono. É isso. Finalmente – agora posso descansar e me dedicar a entender outras coisas, como o Big Bang ou a obsessão por sapatos.
Escrito por Mayara Alves às 17h08
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Enquanto isso, no lustre do castelo...
Tem alguém sorrindo para o nada e admirando a paisagem. Tem alguém sem preocupações e sem dores. Tem alguém vivendo um sonho e sonhando uma vida. Tem alguém que não precisa de mais nada para ser feliz. Tem alguém que conquistou tudo que queria e que se orgulha disso. Tem alguém que quer o bem a todos. Tem alguém sem inveja. Tem alguém que não é egoísta. Tem alguém em sua felicidade plena. Isso não é real, isso é fantasia. Mas, é para lá que vamos quando queremos nos desligar do nosso pequeno mundinho cheio de contratempos, problemas, angústias e pequenas doses de insatisfação. Todo mundo tem um lustre em seu castelo. Acordado ou dormindo, não importa. Há sempre algum momento em que você precisa se refugiar nele, onde tudo é lindo. Viver nele é impossível. Não há ser humano que aguente a perfeição e a falta de metas. Qual é a graça de ter tudo? É preciso ter sonhos e objetivos. O topo só é bom no primeiro momento. No segundo, já é melancólico. Mas isso não tira o valor do instante em que você alcança o que quer. E é quando você está simplesmente... bem! Só queremos um minuto desta sensação. Eu tenho o meu lustre.
Escrito por Mayara Alves às 12h17
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Tempo
Dizem que o espelho é o melhor reflexo do tempo. Ele, ali, todos os dias com você, mostrando tudo que já foi, tudo que deixou de ser, tudo que é. E não adianta, você vai sempre querer que o tempo pare. O problema é não enxergar que foi exatamente ele que te trouxe até aqui. O tempo, sua vida, sua história, seus sorrisos e suas lágrimas. Você é uma conquista. Porque não adianta, viver envelhece. E viver é lindo.
Escrito por Mayara Alves às 23h13
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Não amo ninguém
Eu ontem fui dormir todo encolhido Agarrando uns quatro travesseiros Chorando bem baixinho, bem baixinho, baby Pra nem eu nem Deus ouvir Fazendo festinha em mim mesmo Como um neném, até dormir Sonhei que eu caía do vigésimo andar E não morria Ganhava três milhões e meio de dollars Na loteria E você me dizia com a voz terna, cheia de malícia Que me queria pra toda vida Mal acordei, já dei de cara Com a tua cara no porta-retrato Não sei por que que de manhã Toda manhã parece um parto Quem sabe, depois de um tapa Eu hoje vou matar essa charada Se todo alguém que ama Ama pra ser correspondido Se todo alguém que eu amo É como amar a lua inacessível É que eu não amo ninguém Não amo ninguém Eu não amo ninguém, parece incrível Não amo ninguém E é só amor que eu respiro
Composição: Frejat, Ezequiel e Cazuza
Escrito por Mayara Alves às 15h19
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Um dia de ontem
Exatamente às 5h40 da manhã, ela acordou. Esfregou os olhos e se mexeu na cama até se lembrar onde estava. Ela havia saído dali em algum momento, mas, por incrível que pareça, estava na sua cama, no seu quarto, na sua casa, sozinha. Com toda coragem que lhe cabia, levantou. No banheiro, acendeu a luz e olhou-se no espelho. Era ela com ela mesma, no horário mais vazio que podia. Sem humor. Ali, passaram-se três segundos que pareceram três minutos. Não mais que isso. Tirou o que vestia e mergulhou num banho rápido. Mergulhou no chuveiro e manteve-se desligada ainda por aqueles minutos solitários. Ela, a água, o embaçado. O despertar, de fato, veio à tona apenas após o ritual, enquanto se embrulhava nos felpos da toalha. Enquanto ela a abraçava. Sua roupa estava premeditadamente separada desde o dia anterior. Seu creme e seu perfume, não. São aqueles que, muito além da roupa, decifram o seu estado de espírito. Sua manhã estava comprometida e ela sabia que o dia todo seria cheio. Peça por peça, ela se montou. Como uma boneca, desde o sapatinho à máscara. Sim, a máscara para cílios. Diferente dos demais, aquele dia sairia totalmente fora da sua rotina. Rotina. A sempre torturante e, ao mesmo tempo, gratificante rotina. Fugir dela é bom. Muito bom. Pra ela. E bom foi quando ela pegou o elevador. Não o mesmo de sempre, o outro. E desceu. Não como os outros dias, sozinha. Mas com alguém. Na primeira etapa do caminho, estava sentada no banco do passageiro de um carro, não no banco do passageiro de um ônibus. Não com um milhão e meio de pessoas aglomeradas num mesmo transporte. Estava tranquila, com direito ao seu espelho e luz do quebra-sol para checar se a máscara estava bem. A máscara. Para, respira, abre a porta do carro, se estica e abre o guarda-chuva, coloca o primeiro pé no chão, coloca o segundo, pega a bolsa. Tudo enquanto o braço direito se alonga firmemente para segurar o seu, por que não?, protetor-d’água. Em cada passo, uma certeza de que cada um representava um a menos que daria. Esse era o medo. Medo daquele caminho tão passado. Passado por passar, passado por ser passado, passado por já ter passado. O ônibus. Aquele ônibus que outrora pegava para um caminho que não o fazia mais. Aquelas pessoas encontradas diariamente e que, agora, já não eram mais ninguém. Um trajeto de sono sem sono. O mesmo caminho, a mesma esquina, a mesma padaria, o mesmo cafezinho. Oi, estou subindo. Presenteou-se com o seu passado.
Escrito por Mayara Alves às 16h39
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Escrito por Mayara Alves às 21h57
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Janelas…
Olha lá, quem tá on no msn. Quem diria, hein? Outrora, uma janelinha tão importante… E agora? Bah, agora tanto faz. E pensar que eu passava horas e horas esperando você entrar. E quando você entrava, nossa! Só eu sabia como meu coração disparava, como eu ficava eufórica em ver sua janelinha, como eu ficava toooda idiota, calculando quanto tempo esperar para te falar um “oi”. Claro, porque se eu falasse assim que você ficasse on, pareceria desesperada demais. Se demorasse, vai que você saia de novo! E, nesses poucos minutos, a agonia tomava conta de mim. Mesmo porque, esperar um “oi” seu era terrível. Era a certeza de que não falaria com você naquele dia. Aí, meu mundo caiu e já era. Esperar mais um dia pela sua janela. Agora, a sua janela não produz efeito nenhum. Pode estar on, ausente, ocupado, fazer spam. Sério, não dou a mínima. Não por vingancinha, orgulho… Nada disso. Simplesmente porque não me faz diferença mesmo. Engraçado isso, né? Hoje em dia, eu não sinto mais essa ansiedade por uma janela. As pessoas mudam, crescem, amadurecem sentimentos. A sensação das janelinhas pode até existir, mas com menor intensidade. Talvez apenas por uma gostosa nostalgia. Com certeza, todos nós já fomos, ou somos, as tão aguardadas janelas. E que todos nós somos, ou seremos, as janelas indiferentes. Que seja, já está tarde, e eu nem sei porque comecei esse texto… E minha janelinha da vez acabou de falar comigo! (: Por Luiza Dias - http://blogdaluka.wordpress.com/
Escrito por Mayara Alves às 22h41
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Também escondo-me debaixo da coberta
Hoje, descobri o meu maior medo. Nunca tinha assumido isso para mim mesma – talvez por falta de coragem, realmente –, mas não teve jeito. Eu tenho medo de ficar sozinha. Sim, eu tenho medo de ficar sozinha. Não no presente, no futuro. Uma vez, uma amiga minha me perguntou se eu seria capaz de ficar com alguém, estar com alguém, mesmo que eu não goste tanto da pessoa, apenas pelo simples fato de ter alguém. Será? Não acredito que eu possa ter essa frieza. Não mesmo, e isso posso falar com toda certeza. Mas quem é que me garante que o meu medo não possa ser responsável por criar a ideia de que a pessoa X ou Y é importante para mim, simplesmente, para eu não ficar só? Ninguém me garante. Nem eu. Na verdade, esses sentimentos loucos jamais serão compreendidos, muito menos terão sua origem descoberta. E isso é que é o pior. Ou não. Penso que cada pequena história que vivo, cada dia, cada conto, faz parte de um bolo enorme de histórias, que é responsável por quem eu sou. Eu sou essa malinha cheia de bagagem, que levo comigo para todos os lados. Sim, eu me levo. Mas, em certos momentos, chega o tal do pensamento: mas será que nunca? Mas será que será sempre? Queria acreditar em um amor para viver a vida toda, por exemplo. Não acreditar como quem acredita que vai ganhar na loteria – afinal, alguém tem que ganhar. Queria acreditar como a criança acredita no Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa. De verdade. Como é isso? Não sei se perdi, ou perdemos, essa coisa toda de pureza nos sentimentos ou se não há diferenças entre todo esse crer. Pensar em sempre perder alguma coisa e, principalmente, alguém na sua vida não é confortável. Quer dizer, não é nada confortável. Imaginar que, entre idas e vindas, talvez não haja um momento entre elas, a tal da calmaria. Pensar que, por mais que as coisas caminhem certas, tem sempre algum obstáculo que barra ou alguma montanha que dá preguiça. Não quero a monotonia, nem mesmo a certeza. Nenhuma delas nos faz felizes constantemente. Quero a montanha-russa, mas no mesmo carrinho. Porque... E se tudo der errado? E se não tiver jeito? E se for para ser assim e pronto? Quem é que vai me dizer? Só sei que não quero estar só. Pode ser brega essa coisa toda de envelhecer, de fazer bolinhos, de ter netos correndo pela casa, de fazer tricô em frente à lareira... Pode ser. Mas não é brega para mim. Acho que eu ainda acredito.
Escrito por Mayara Alves às 20h00
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Mulheres
"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa:elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.
Pare para refletir sobre o sexto-sentido. Alguém duvida de que ele exista?
E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?
E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?
E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo.Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece? O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro! "Leve um sapato extra na mala, querido. Vai que você pisa numa poça..." Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...
O sexto-sentido não faz sentido!
É a comunicação direta com Deus! Assim é muito fácil... As mulheres são mães!
E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?
E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral. Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...
Tudo isso é meio mágico... Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos"anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).
As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?
Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...
É choro feminino. É choro de mulher...
Já viram como as mulheres conversam com os olhos?
Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outro olhar. Quantos tipos de olhar existem?
Elas conhecem todos...
Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.
EN-FEI-TI-ÇAM !
E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas? Para estudar os homens, é claro! Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...
Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro". Quer evidência maior do que essa? Qualquer um que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim.
O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem"estar nas nuvens", quando apaixonadas. É sabido que as mulheres confundem sexo e amor. E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida. Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado. Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo. Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos. E levitam. Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam. Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora." Por Luís Fernando Veríssimo
Escrito por Mayara Alves às 16h09
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Aí sim fomos surpreendidos novamente
Nem coloquei aspas porque esta frase tem sido tão usada ultimamente que virou um bordão da vida, não de alguém. Mas, para quem não sabe – como assim não sabe? –, ela foi dita pelo Zagalo. Claro que, como vocês bem esperam, não é dele que vou falar e com certeza o tema nem chega perto disso. O foco aqui é o fato de nós nos surpreendermos. Como isso é bom! Digo apenas dos casos de surpresas satisfatórias, positivas, que nos deixam bem. Surpresa ruim não é surpresa, é imprevisto. Logo, vamos surpreender! Sim, temos que surpreender para deixar alguém feliz. Sermos surpreendidos não depende de nós e não podemos esperar por isso. Se esperar uma surpresa, só há duas possibilidades de resultado: ela acontecer e deixar de ser surpresa ou ela não acontecer e virar uma decepção. Não, não quero isso. Seja com flores, ligações, carros de som, cartas, chicletes, anéis, faixas, mensagens, doces, presentes, bombons, cestas, dobraduras, jantares, caixinhas, papéis, visitas, pedidos, comidas, presenças, atitudes, beijos, palavras... Não importa. Seja qual for a surpresa, ela é sempre bem-vinda. E faz tão bem! Apimenta, aproxima, intensifica... A surpresa surpreende e não há quem não deseje intimamente – ou abertamente mesmo – que alguma aconteça. A gente abre aquele sorrisão, o coração dispara, as mãos suam... A sensação é quase como a de uma paixão na velocidade da luz. Depois? Depois, você fica leve, pleno, feliz. Oba! Aí sim fomos surpreendidos novamente.
Escrito por Mayara Alves às 12h35
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Vomitando palavras
Numa segunda-feira, entendi que algumas coisas são necessárias. Quer dizer, não entendi, eu apenas aceitei. Sim, engoli. Assim como todos os sapos que engolimos durante a vida. E também não é que essas coisas são necessárias, são apenas, como posso dizer, um plus, uma bonificação da vida. Não, não mudei de religião e aprendi a agradecer mais pelo que tenho. Não, não tive nenhum motivo para mudar as minhas convicções. Vi, apenas, que não há saída. Pelo menos, não há saída positiva, a não ser enfiar a cabeça dentro de uma panela vazia e bater freneticamente nela – ai, que aflição! Aceitei porque, como vovó já dizia, se você não pode contra, junte-se a eles. Eu me juntei. Talvez ainda não possa dizer que me juntei com louvor, que estou empenhada, que vou lutar loucamente pela vitória. Mas, temos aqui um avanço. Um avanço meu. Só meu. Não há ninguém que possa mudar isso. Ok, fui radical demais. Tá bom, eu menti! Sim, há muita gente que pode mudar isso. Não mudar, mas me convencer a mudar. Nunca disse que eu era uma pessoa de difícil persuasão. Na verdade, com esses tipos de assunto, sou fácil, fácil. Basta me dar um pontinho negativo para eu me desmotivar que eu abraço a ideia. Que feio, não? Mas não ligo, estou colocando as cartas na mesa, os pingos nos i’s, ou seja lá que expressão quiser. Depois que você se joga no precipício, não há mais volta. O que você pode fazer é levar um paraquedas consigo. Se eu estou com o meu? Juro que é uma pergunta que eu não sei responder. Talvez eu tenha apenas duas raquetes para tentar voar. Será que funciona? Não sei. Não sei a maior parte das coisas e sinto que cada vez saberei menos. Isso assusta um pouco. Agora, ainda estou em mim. Em breve, sei que não estarei. Loucura. Sei que ela me acompanhará. Estou deixando o meu relato prévio aqui. Sem parágrafos, sem formatação, sem nada. Ele será valioso no decorrer dos acontecimentos. Será a minha chave com a sanidade. Será meu passaporte para mim mesma. Porque eu vou me esconder dentro de uma bolha. Na raiz de tudo, serei eu. No tronco, galhos, flores e folhas, talvez não. Aceitar isso tudo é bem estranho. Aceitar a minha própria ausência. Aceitar uma viagem. Sei que não será uma constante. Na maioria dos dias, ainda serei a boa e velha de sempre. Talvez nem boa nem velha. Talvez apenas a de sempre. Mas sei também que terão dias que esse desabafo fará todo sentido.
Escrito por Mayara Alves às 12h22
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Existe um coração
Existe um coração. Eu só queria que vocês soubessem disso. É um coração bem grande e generoso até demais, pronto para fazer todo mundo caber dentro dele. Um coração que oferece casa, comida, roupa lavada, amor, carinho e amizade de verdade. Existe esse coração. E ele não muda de acordo com as datas do ano. Ele é o mesmo no Natal, no Carnaval, no frio de junho. Talvez no frio ele fique mais contente e calmo. Mas o fato é que existe um coração que se machuca ao menor toque descuidado. Sai sangue. E esse coração, para se defender, tira correndo a pessoa que encostou ali de mau jeito e provocou o machucado tão dolorido. Pode doer tirar. Mas ele tira. Arranca aquela pessoa dali. Porque existe um coração sensível, generoso e disposto a dar casa, comida, roupa lavada, amor, carinho e amizade de verdade. Era só isso o que eu queria dizer para vocês, meus amigos. Existe um coração exigente. E ele vai continuar assim porque já se sabe que certas coisas não mudam nem são ruins. Elas são assim. E pronto.Quinze anos de análise e o coração continua o mesmo. E quem conhece bem de perto e de verdade diz que é bom que seja assim. E ama esse coração assim mesmo, do jeito que ele é. Ele e os seus caprichos. Por Nina Lemos, 02 Neurônio.
Escrito por Mayara Alves às 12h49
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Eu, robô
Uma carta de amor. Brega! Sim, termo brega! Quem, hoje em dia, manda uma carta de amor? Isso não existe mais. Talvez por dois motivos: as pessoas não mandam mais cartas e o amor anda muito escasso. Juntar ambos é uma missão difícil! Logo, onde estão essas cartas? Onde está a espera por um sinal demorado do amado, como em Please Mr. Postman, dos Carpenters? O papel perdeu o valor. E ele é tão significativo! Aquelas palavras transcritas direto do coração. (estou muito brega hoje) Lindo! As fotos no papel. Que delícia que era aquele ritual de sentar com a família e/ou amigos e ver fotos e mais fotos. Momentos ali, materializados. Fotos enviadas com cartas... Aquele bilhetinho cheio de juras deixado estrategicamente na mochila do namoradinho da escola. Aquela folha de caderno toda preenchida repetidamente com “eu te amo” e cheia de corações. Aquela primeira página do livro com uma dedicatória. Aquele perfume espirrado no papel. Aqueles adesivinhos coloridos colocados no decorrer dos dizeres de uma carta. Hoje, o mundo é digital. Os sentimentos parecem estar digitalizados também. Até falar ao telefone parece uma coisa antiquada. O normal mesmo é trocar e-mails, sms’s, recados e depoimentos em redes de relacionamentos. E eis que os relacionamentos se tornaram públicos. Eis que os sentimentos não importam apenas para as duas pessoas em questão, mas para toda a rede. Sim, para amar de verdade é preciso falar para todo mundo. E no orkut/twitter/facebook, por favor! Um exemplo claro: estado civil. Ah, sim. O tal do estado civil. Hoje, é um dilema! Nunca se sabe que momento está vivendo. Mas – como tudo na vida, há um mas –, as redes de relacionamentos têm a resposta sempre. Vá no perfil da pessoa e cheque se está solteira ou não. Simples! Porque um namoro só é considerado namoro depois que o status for mudado na rede. É como se não valesse de nada o pedido, o jantar e o beijo após o sim. Porque, na verdade, o que conta é a divulgação. Divulgação de tudo. Da sua vida, dos seus afazeres, de quem são seus amigos, do que você comeu ontem, com quem você está. E não digo tudo isso querendo mostrar que não me submeto a esse mundo. Pelo contrário. Sou mais uma usuária, mais uma que utiliza dessas milhões de ferramentas digitais para viver e, por que não, divulgar a minha vida. Mas, tenho uma saudade absurda dos papéis, os famosos papéis. Afinal, é claro... tudo muda, mas certas coisas nunca perdem o valor para mim.
Escrito por Mayara Alves às 23h47
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Depressão 3D
Cá estou eu, iniciando 2010 com uma nova frustração. Nova, porque frustrações nós temos de montes. Consegui, apenas, acrescentar mais uma à minha listinha. E essa está nos meus olhos. Ela se chama diplopia. Para quem não sabe o que é isso, dê um Google aí. É simples e complexo ao mesmo tempo, e absolutamente raro. Sou uma dessas raridades. Ela pode ser temporária. Mas eu, claro, tenho-a permanentemente. Dentre todas as suas características, as quais já me acostumei depois de 20 anos vividos, uma delas me deu uma rasteira nesses dias. Eu não enxergo 3D. Isso mesmo. Vou repetir. Eu não enxergo 3D. Eu não enxergo 3D. Eu não enxergo 3D. Já haviam me cogitado essa hipótese, mas eu ainda não havia feito o teste. Afinal, não me lembro do Cine3D do Parque da Mônica. Mas, infelizmente, a hipótese foi confirmada no cinema. A frustração não é apenas com “Poxa, que pena, não vou mergulhar nesses filmes novos”. O problema é pior. O mundo está virando 3D. Tudo! E quando hologramas forem coisas normais? Eu não vou enxergar. E quando a televisão virar 3D? Eu não vou enxergar. E quando o computador virar 3D? Eu não vou enxergar. Os pensamentos serão em 3D, as comidas serão em 3D, os ônibus, os cabelos, as roupas, as lojas, os shoppings, os carros, as pessoas, as conversas, os relógios, as paixões, a água, o tempo! TUDO será em 3D. As pessoas vão amar em 3D! E eu? Nem depressão 3D conseguirei ter. Vou ter a antiga e ultrapassada depressão comum.
Escrito por Mayara Alves às 14h34
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Injeção nostálgica de Love-is-in-the-air
Um marcou pelo seu jeito bobo de ser. O outro, pela maneira com que me fazia sorrir. Um marcou pelas noites cobertas. O outro marcou por sua atenção. Um marcou pela forma como sorria. O outro, por como me fazia importante. Um marcou por como aquele abraço parecia me proteger do mundo. O outro marcou pela alegria. Um marcou por nunca esquecer de cada detalhe. O outro marcou por prender minha atenção. Um marcou... O outro... O outro... O outro... Temos sempre muitas lembranças de todos os amores que passaram em nossas vidas. Sei que dizer ‘amores’ é uma maneira forte demais para se referir aos casos, rolos e encontros já vividos, mas, mesmo assim, são pessoas que deixaram, de alguma maneira, algo em nós – em mim. E que nós, claro, também deixamos um pouco de nós. Hoje, domingo, caminhei no shopping. Época de natal. Tudo cheio. Pensei que fosse encontrar famílias, filhos, pais e mães. Fui sozinha. Para o meu espanto – ou para, pelo menos, fingir que foi um espanto –, encontrei casais. Muitos casais. Casais enamorados da minha idade. Alguns com um pouco mais, outros com menos. Mas casais. Talvez, até não tivessem tantos casais assim, mas parecia que eu só conseguia vê-los. É como quando compramos um carro novo. Parece que vemos vários iguais em todo momento. Mesma sensação. Porém, diferente do exemplo citado, o caso não é de ver refletido em volta a presente realidade. Como eu disse, eu estava sozinha. Sozinha em todos os sentidos, incluindo o conjugal. Maldita ideia de ir ao shopping sem ninguém. Eu sei que não dá certo. E lá se vão sms’s com aquela amiga que – coitada – me agüenta ‘pra carambola’! Andando, andando e pensando. Vão batendo as lembranças, as saudades. As saudades de cada gesto, de cada cotidiano, de cada conversa, de cada mãos-dadas. Sei que não era a única ali a pensar assim. Sei também, principalmente, que todo mundo – todo mundo mesmo – tem saudades de tempos remotos, de pessoas, de momentos, de vidas, de histórias. Eu não estava errada. Só estava ali.
Escrito por Mayara Alves às 23h41
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